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Italo Ferreira fala da sua pré-temporada e as suas intenções para 2020

Italo Ferreira fala sobre sua pré-temporada em Portugal e seus objetivos no circuito mundial de surf e as Olimpíadas 2020.

Italo Ferreira

Italo Ferreira fala da sua pré-temporada e as suas intenções para 2020

O campeão mundial de surf Italo Ferreira que em 2019 venceu tudo que era possível, em entrevista a um jornal português falou de seus treinos, sua pré temporada em Portugal e suas futuras intenções para o circuito mundial de surf e as Olimpíadas 2020.

Italo Ferreira Portugal 2019

Italo Ferreira podia estar de férias, no Brasil, mas quis passar quase duas semanas treinando entre Ericeira e Peniche, porque acha que “ainda sente um pouco de dificuldade” em tubos. Também surfou Nazaré, para “sentir adrenalina no corpo”.

Disse Italo Ferreira:

Prancha de Equilíbrio

Escolhi Portugal por ser inverno, ter muita onda boa na costa da Ericeira e Peniche. Antes do Natal, quando fui campeão do mundo, fiquei alguns dias parado totalmente, só a curtindo e aproveitando o momento. Em janeiro comecei a treinar a parte física no surf, também comecei a treinar algumas coisas diferentes. No caso, o tubo, em que acho que ainda sinto um pouco de dificuldade, e algumas manobras de linha para a esquerda. Em termos de tubo, tanto de frontside e de backside, deu para sentir um pouco em Supertubos e os Coxos. Fiz boas sessões e acho que valeu muito a pena.

E a água fria?

Essa é a parte mais difícil. Não dá para acordar cedo, porque é muito frio. Tudo bem que, num campeonato, você tem um objetivo maior, que é ser campeão da etapa, mas, na pré-temporada, dá para dormir um pouco mais para surfar. Tenho acordado um pouco mais tarde e passado os dias na água. Ontem, surfei umas três ou quarto horas em Supertubos. Estes dias renderam muito e o esforço vale a pena. O frio vai ser compensado.

Italo também contou como foi surfar em Nazaré:

Italo em Nazaré

Foi meio que loucura. A Mari [Mariana Azevedo, namorada] não queria que entrasse no mar. Mas o desejo e a adrenalina de um atleta que compete faz com que queiras sempre estar em alto rendimento. Tem que ter essa adrenalina no corpo. Nos últimos dias, não estava fazendo nada além de surfar, não estava a sentir nada que me deixasse um pouco mais adrenalizado.

Parafina Fuwax

Quando estou em casa, tenho alguns carros, uns brinquedos, que me trazem essa adrenalina, faz-me tremer a mão e ficar com medo de acelerar. A onda em Nazaré me deixou com a adrenalina alta. Chegámos lá na marina, e não havia ninguém do pessoal que faz a segurança dentro de água para me resgatar. Puseram um jetski na água e fui sozinho com um colete que me deram e nem sabia insuflar, se caísse na água.

Foi uma loucura. Lá encontrei o Alemão de Maresias, o Sérginho [Sérgio Cosme] e toda a equipa e, depois, foi tudo tranquilo. Deu para apanhar três ondas, para sentir a energia e o poder daquela onda e como a natureza é forte.

Também serviu para treinar o receio?
Sem dúvida. Quando se vê o tamanho da onda, o limite que tem… é outro desporto. Não consigo comparar isso com o que a gente compete durante o ano, no circuito mundial. É muito maior. É bem perigoso também, em alguns momentos. Mas, na água, senti-me realmente confortável com as pessoas com quem estava. Eles sabiam onde ir, onde me colocar na onda.

Quando perguntado a Mariana Azevedo, namorada, como foi a experiência do Ítalo na Nazaré?

Chorei muito quando vi que ele estava a indo. E quando reparei que não havia ninguém para o levar no jetski, olhei brava para ele. Disse ‘pelo amor de Deus, já é uma loucura entrar ai, e ainda vai ir sozinho? Estão brigou comigo! Mais no final, não adiantou nada ele foi do mesmo jeito

Então o que restou foi assistir. Ele pegou uma, duas e três ? Não precisava uma foi bom! Aí, na terceira, falei para o manager do Italo o Marcos, se ele pegar a quarta, juro que hoje não falo mais com ele’. Ainda bem que ele saiu e não foi para a quarta onda!

Depois que Mari apareceu em sua vida, o que você acha que mudou?

Sem dúvida, acho que me ajudou bastante. Comecei a fazer as coisas que gosto, de verdade. Acho que era isso que estava à procura, o meu equilíbrio. Tudo o que aconteceu neste ano foi para alcançar o meu maior objetivo: ser campeão do mundo. Quando nos conhecemos, em 2018, já estávamos no Havai juntos, daí fomos para a Austrália e as coisas começaram a acontecer. Tinha outro conceito. Só viajava sozinho, nunca queria ninguém por perto. Vi que, com ela, era diferente: acordávamos cedo, íamos treinar, ela filmava-me. O Marcos também começou a acompanhar e, depois, o [Fernando] Mocotó, outro amigo meu. Então, fiquei com uma família, era a minha base, o meu triângulo, onde encontrava equilíbrio. Durante o ano, separei-me de um dos meus treinadores e isso deu-me uma liberdade a mais, para surfar da maneira que gosto e não me preocupo com mais nada. Hoje, relacionamo-nos todos muito bem, começamos a viajar e as coisas foram acontecendo. Estando feliz, somos capazes de fazer qualquer coisa.

Italo Ferreira Havai
Italo Ferreira Havai

Italo Ferreira no ano de 2019 conquistou:

  • Título mundial de surf 2019 da WSL. Saiba Mais
  • Mundial ISA 2019. Saiba Mais
  • Foi eleito como melhor surfista do ano pela revista STAB. Saiba Mais
  • Venceu o surfer awards na categoria surfista da temporada. Saiba Mais
  • Está ainda concorrendo ao premio Laureus World Sports. Saiba Mais

Agora em 2020 acha que vai mais bem treinado para o circuito mundial?

Claro estou treinando sempre em ondas um pouco mais fortes. Fernando de Noronha é um lugar perto de onde moro e, quando tem ondas, faço lá a pré-temporada. Esse ano casou Portugal ter ondas e ser apenas um voo de sete horas, de Natal para Lisboa. Fiquei aqui 15 dias. Voltando, vou treinar a parte física e, depois, vou para Noronha surfar um pouco mais. Estou a abrir uma secessão de tempo para ficar em casa para que possa melhorar o meu surf e esses detalhes em que ainda sinto um pouco de dificuldade e não tenho muita confiança. O que fiz em Peniche e nos Coxos somou ao meu surf, quero sempre continuar a melhorar e tentar evoluir. Se você me colocar, sei lá, num dia em Pipeline com 10 pés, vai ser difícil. Estou a tentar melhorar em quaisquer condições, especialmente em ondas grandes e tubulares. Não estou a relaxar, quero melhorar para conseguir mais títulos.

Quando perguntado sobre a seleção do Brasil nos Jogos Olímpicos com ele e Gabriel Medina?

Então, é individual, não é? A prova de surf nas Olimpíadas é individual e ambos vamos querer fazer o melhor para levar a medalha de ouro e representar o país. Ganhar é o meu objetivo e espero que possa representar o Brasil

E sobre os treinos físicos, costuma treinar muito?

É por isso que tenho uma academia em casa. Posso treinar a qualquer momento. Se tiver feito uma viagem, chegar tarde a casa e estiver cheio de energia, vou treinar. Se não treinar, no dia seguinte tenho de fazer o dobro. É essa cobrança que faz com que me sinta bem, fisica e psicologicamente.

O que você sente quando está em casa?

Em Baía Formosa. É um lugar especial para mim, onde volto a ser criança e a fazer as mesmas coisas. Ir para a praia jogar à bola, pegar num carro, fazer trilhos, surfar o dia inteiro, treinar a parte física, comer a comida da mãe… Voltar para a Baía Formosa faz-me regressar ao zero e esquecer tudo o que conquistei até hoje. É isso que ainda me move.

Tens planos para que Portugal possa ser uma segunda casa?

Pode ser, estamos pesquisando umas casas. Foi um dos motivos pelos quais viemos, também, para tentar encontrar um espaço aqui em Portugal. Para poder vir aqui surfar, melhorar e pegar ondas de qualidade. O frio ainda é um pouco chato, mas no final vale a pena. E, quem sabe, talvez apanhar umas bombas na Nazaré

Este ano será o primeiro ano em que, claramente, é o favorito a ganhar todas as etapas e o título mundial. Alguma coisa vai mudar na tua vida?

Italo Ferreira
Italo Ferreira

Chegar a um lugar e as pessoas falarem “ele é favorito a ganhar essa etapa e esse campeonato” é algo que eu sempre quiz. É por isso que continuo a treinar muito. Podia estar em casa relaxando, já fui campeão do mundo, vou dar um relax de três meses, mas não. Essa obsessão, essa vontade de vencer, de querer e de mostrar que é possível, é o que me move

Finalizou Italo

Hoje, realmente, as pessoas podem dizer que posso ganhar nessa onda, em vez de olharem para o mar e dizerem que posso ganhar porque está pequeno. É isso que quero mostrar às pessoas: que posso entrar e ganhar em quaisquer condições, mostrando o que sou capaz de fazer. Acho que é isso que um atleta procura, evoluir todos os dias, mesmo estando no topo.

Fonte da matéria – Tribuna Expresso.

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Eduardo Barrionuevo

Eduardo Barrionuevo é surfista profissional e compete atualmente as etapas do CBSurf. Nascido em Iguape, atualmente ele treina no Guarujá e é um atleta do time da Gangster, entre outros patrocínios. Barrionuevo possui conhecimento profundo do mundo do surf dando uma visão crítica e especializada as notícias do portal . Edu é atleta patrocinado da Gangster, e recebe apoios da Águas Claras Sr. Altino, Botton Fins , D+Sports , Ótica Di Fiori, TH Surfboards e LivreSurf. Contato: eduardo@livresurf.com.br

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